sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O fim do verde e a extinção humana


Por Ricardo Soares*

É de um simbolismo muito triste,muito sinistro ver secar a nascente do rio São Francisco ali no Parque Nacional da Serra da Canastra no municipio de São Roque de Minas (MG). O curso d'água até a primeira queda d'água, a Cachoeira Casca D'Anta, só não secou totalmente porque outros tributários ainda têm alguma água. O Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF) garante que se não chover até o fim de outubro um trecho de 40 quilômetros do rio, entre a Usina Hidrelétrica de Três Marias e o primeiro afluente, o Rio Abaeté, poderá secar. Garantem que é a primeira vez que isso acontece e espero ser a última. Aliás, espero mais. Espero que a nascente volte limpa e forte e que o pesadelo da falta de chuvas acabe logo e com ele a displicência das autoridades em relação aos problemas do abastecimento.

O Brasil, apesar de muito alardearem o aumento de nossa consciência ambiental, ainda está desleixadíssimo em relação ao tema. Colocamos em quinto plano a preservação das florestas, das bacias hidrográficas, dos mananciais, da poluição, do tratamento do lixo. O “deus consumo” quer abrir espaço para plantações, pastagens, shopping- centers e empreendimentos imobiliários de gosto duvidoso onde a classe média sinta-se segura rodeada de azulejos e guaritas.

Ontem mais uma má notícia. O Brasil, que possui a maior floresta tropical do mundo, se recusou a assinar a declaração da Cúpula do Clima em Nova York que prevê o fim do desmatamento mundial até 2030. Isso é duplamente preocupante. Já o seria se tívessemos assinado porque do jeito que as coisas andam não existirão florestas a serem preservadas até 2030. Pior ainda é não assinar sequer esse compromisso sob o pretexto de que o documento fere a nossa legislação nacional e não foi sequer discutido.

Esse documento recebeu inúmeras críticas mas é ao menos um compromisso.Temos que estabelecer pra valer uma meta de controle da poluição. Temos que desmatar menos para sobrevivermos mais como espécie. Ou será que o melhor mesmo é torcermos por nosso extinção já que sem nós o planeta estaria melhor como apregoa o sensacional livro de Alan Weisman “ O mundo sem nós”.
Ricardo Soares é diretor de TV, escritor, roteirista e jornalista. Foi cronista dos jornais “ O Estado de S.Paulo”, “Diário do Grande ABC” e “Jornal da Tarde”.
domtotal.com

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